23.11.12

que sei eu




que sabes tu das cidades que me nascem na ponta dos dedos?
que sabes dos arranha-céus que me entaipam os olhos e dos mantos 
de fumo negro que à noite me vêm cobrir os sonhos?

alamedas inteiras onde desfilam máscaras de oxigénio
e tu a quereres uma árvore de onde me possas ver passar
e tu a desenhares janelas no ar que não respiras
e a quereres-me dentro delas

deixa à porta desse caminho por onde também irás partir
a ordenação das pátrias e os desígnios da salvação
que a minha ausência de verde já me tatuou o coração
com as fábricas do não querer saber até quando
vou ficar nesta forma imperfeita 
de rasgar o tempo com os olhos

Rosário Alves

5 comentários:

Virgínia do Carmo disse...

Sabes procurar a sublimação com a forma imperfeita das palavras. E ainda que nada mais soubesses, isso bastaria para que fosses inteira.

Beijo enorme, de amizade e admiração.

Mel de Carvalho disse...

por vezes, amiga, temos a justa percepção de que quem nos está mais próximo não sabe nada de nós e que, em certos instantes, nem nós mesmos sabemos "das cidades que (nos) nascem na ponta dos dedos"...

sei apenas que ler-te e ter-te por perto, chamar-te de amiga, é um previlégio meu.

tão belo este poema, Rosarinho
Beijo
Mel

Mel de Carvalho disse...

Rosarinho

um enorme abraço e os meus votos de que 2013 te traga (e nos traga a todos), muita paz e harmonia.

Beijo com carinho
Mel

Maria João disse...



Já li tantas vezes este teu poema, Rosarinho, e vou embora sempre com a sensação de ser incapaz de dizer o que gostaria.
Olho-te nos olhos, por dentro de cada palavra e respiro o poema como uma brisa suave que te nasce dos dedos.

Obrigada! Obrigada sempre...

Um beijinho grande e um bom ano para ti e todos os teus.

tb disse...

Poucos sabem das cidades que nos nascem nas pontas dos dedos, amiga.
Gostei muito.
Beijinho.