9.5.11

raízes



de longe
o som de uma luz inexacta
como a nascente desta fonte
onde sacio uma sede de alimento
subterrâneo

e
como leves cabelos na brisa das ondas
pairam-me raízes no colo
adventícias
brotando de todos os poros
desnudadas
radículas embrionárias
que se ausentam no ar
em eremíticas danças de sonho

de perto
à luz incisiva das palavras
sob a eminente ausência de grampos para a alma
permanece caulinar
o eixo transversal das células
perene e axial
abrigando o alimento
de um corpo que respira
olhares desfiados
tricotados em ternura

ao certo
nada

o resto não existe
o que não seja
terra água ar luz ou amor
Rosário Alves

8 comentários:

Mar Arável disse...

... e já é tanto

Parapeito disse...

e se tal se conseguisse que bom que era
brisas doces***

Anónimo disse...

Grampos de metal, grampos de lã... depende do momento... muitos, de aço e platina com nós de macias lãs.

xi doce
di

A.S. disse...

Terra, Água, Ar, Luz, Amor... Tudo quando precisamos para ascender a todos os sonhos!

Belo o teu poema Rosário!

Beijo!
AL

Virgínia do Carmo disse...

No fundo, o que importa, é ver com os olhos da alma, aqueles que não alteram a realidade em função da distância! E tu tens uma alma imensa, que te ilumina as palavras com o fulgor dos sábios.

Beijinhos grandes e até breve!

ParadoXos disse...

um sentir bonito de escrever!
senti-te palavra!

abraços

tb disse...

É nas coisas simples que reside a essência de nós e das coisas.
Belo poema!
beijinho, Rosário.

Anónimo disse...

mais. estou esperando mais palavras, pensamentos palavras, imagens palavras, sentimentos palavras , emoções palavras. coloridas mono ou poli, importa só até onde nos transportam. xi eu